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Nestlé
vai continuar a investir no Brasil
swissinfo,
Claudinê Gonçalves, Vevey
Apesar
do caso da Garoto, a multinacional suíça
vai continuar investindo no Brasil.
"Nossa relação de 80 anos com o Brasil
não vai mudar. Seria infantil e contrário
aos nossos interesses", afirmou o presidente da Nestlé,
Peter Brabeck-Letmathe, em entrevista coletiva em Vevey,
Suíça.
"Qualquer
que seja o resultado, em dois anos o faturamento da Chocolates
Garoto subiu 30% e não vamos perder dinheiro".
A afirmação é do presidente do conselho
de administração da Nestlé, Peter
Brabeck-Letmathe, em entrevista coletiva à imprensa,
quinta-feira na sede da multinacional, em Vevey, quando
a líder mundial do setor alimentar apresentou seu
balanço 2003.
Surpresa
O vice-presidente para as Américas, Carlos Represas,
disse que a Nestlé ficou "muito mas muito
surpresa com a decisão drástica e dura do
CADE porque sabíamos o que se havia feito antes
em matéria de medidas anti-trust no Brasil".
Questionado por swissinfo, Represas não quiz fazer
comparações com outras decisões do
CADE mas explicou que a Nestlé "analisa todas
as opções de defesa de seus interesses"
e insistiu que a multinacional suíça atêm-se
ao "estrito respeito da legalidade e das autoridades".
Dois anos atrás, a Nestlé havia comprado
a Chocolates Garoto por 250 milhões de dólares,
segundo analistas, embora a Nestlé não confirme
essa cifra. A empresa de Vila Velha (ES) fora posta à
venda devido divergências na família que
a controlava.
Posição dominante
A Garoto era a terceira maior em venda de chocolates no
Brasil, com cerca de 24% do mercado. A Nestlé detém
29% do mercado brasileiro de chocolates. O CADE, cujos
6 conselheiros são nomeados pelo Ministério
da Justiça, julgou que a aquisição
da Garoto daria à Nestlé uma posição
muito forte no mercado, prejudicando o consumidor.
Pela decisão, a Nestlé terá de vender
a Garoto a uma concorrente que não detenha mais
de 20% do mercado, o que exclui a Kraft, dona da Lacta,
mas não a Cadbury, que também era candidata
à compra da Garoto.
"Não podemos agir sem ponderar todas as alternativas
e elas são muitas", concluiu o vice-presidente
para as Américas, Carlos Represas.

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